30/09, QUA– 20h
Local: Teatro Universitário da Ufes
Av. Fernando Ferrari, 514 – Goiabeiras, Vitória
SOBRE O ESPETÁCULO
Detentora de vários prêmios nacionais e internacionais de canto, Ludmilla Bauerfeldt, formou-se na prestigiosa Academia do Teatro Alla Scala (Milão – Itália) onde protagonizou as produções Don Pasquale (Donizetti) e La Scala di Seta (Rossini). Vem desenvolvendo carreira como solista em concertos e festivais na Itália (Teatro Filarmonico), Suíça (OperaViva), Rússia (Svetlanov Hall, Musical Olympus) e Alemanha (Bad Kissingen, Dresdner Musikfestspiele, Stars and Rising Stars). Presença frequente nas principais casas de ópera no país, seus últimos trabalhos incluem a estreia brasileira de “Orphée”, de Phillip Glass no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a premiére mundial dos “Translieder” de Flô Menezes e a 8a. Sinfonia de G.Mahler, ambos junto à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, além da aclamada montagem de “L’italliana in Algeri”, de Rossini, no Theatro São Pedro, em São Paulo.
Richard Strauss (1864-1949) compôs as “Quatro Últimas Canções” em 1948, escritas como obras individuais e não como um ciclo. Mas são, de fato, canções de despedida – da vida, da arte, de um mundo que se foi. Strauss se despede com melancolia, mas não com tragédia. É uma música impregnada de sensualidade, nostalgia e muito sutil em seu entrelaçamento de texturas vocais e instrumentais. As três primeiras canções têm textos do poeta e romancista suíço, de origem alemã, Hermann Hesse (1877-1962). “Im Abendrot” é do poeta alemão Joseph Eichendorff (1788-1857). Vale destacar alguns momentos criados por Strauss aqui: as frases vocais sinuosas, emolduradas por clarinetes e oboés, que retratam a chuva penetrando na terra receptiva (“Kühl sinkt in die Blumen der Regen”) em “September”; O solo de violino extático, representando o voo da alma, que separa a segunda e a terceira estrofes de “Beim Schlafengehen”; as flautas trêmulas, representando um casal de cotovias apaixonadas, em “Im Abendrot”; e na mesma canção, a última do grupo, o verso final da soprano, “Ist dies etwa der Tod?” (Será esta talvez a morte?), seguido por uma citação orquestral sussurrada do poema sinfônico dele mesmo, Morte e Transfiguração. É o canto do cisne do compositor, sua última obra-prima.
O poema sinfônico Also sprach Zarathustra, Op. 30, livremente composto segundo a obra de Friedrich Nietzsche, foi escrito em 1886 e causou espanto à época. Precedendo a partitura, o compositor escreveu: “A música sonhou por um tempo longo demais; agora queremos acordar. Éramos sonâmbulos; queremos ser sonhadores acordados e conscientes”. Dividida em uma introdução e oito partes encadeadas, cada uma assinalada por um subtítulo tomado de Nietzsche.
Einleitung, oder Sonnenaufgang (Introdução, ou O Nascer do Sol)
O impacto indescritível disso que seria o contato do homem com o poder de Deus, é construído sobre uma nota grave sustentada pelo órgão, com ajuda dos contrabaixos e do contrafagote, no qual irá se apoiar o inesquecível chamado de 3 notas dos trompetes, complementado pela marcação contundente dos tímpanos. O sol nasce e o homem se confronta com a dor do conhecimento, a certeza da morte.
Von den Hinterweltlern (Dos habitantes dos mundos ocultos)
Originalmente, Strauss intitulou essa passagem como Von Göttlichen, Do Divino, e aqui a música traduz a primeira tentativa do homem em encontrar respostas para os mistérios, apelando para as respostas religiosas. Um doce tema nasce nos violoncelos e espalha-se pelas cordas com ecos do canto medieval “Credo in unum Deum”.
Von der großen Sehnsucht (Do imenso desejo)
A tentativa de encontrar conforto na saciedade de seus instintos. As cordas “deslizam” com o tema do desejo e são sistematicamente interrompidas pelos sopros com uma sonoridade sôfrega e desconfortável. No ápice melódico, uma brutal interferência que enuncia a dúvida e prepara o próximo trecho:
Von den Freuden und Leidenschaften (Das alegrias e das paixões)
A revolta do homem frente à falta de respostas e sua entrega às paixões, numa melodia gloriosa nos violinos que simboliza os prazeres carnais, até culminar num comentário jocoso dos trombones simbolizando o fastio.
Das Grablied (A canção do túmulo)
O sentimento de impotência e desolação, o desepero do homem (numa melodia que aparece no violino solo do spalla) frente à invencível morte.
Von der Wissenschaft (Da ciência)
Começa numa passagem sombria, na qual o homem tenta, outra vez, encontrar respostas, agora nas ciências e no aprendizado. Adiante os sopros saltitam, simbolizando o conhecimento, e o tema principal ecoa em confronto.
VII. Der Genesende (O Convalescente)
O movimento trata da ascensão do homem a super-homem, libertando-se do mal e da ignorância. Os temas anteriores retornam, inebriados pela atmosfera da superação dos desejos terrenos. A fanfarra pontua a presença de Zaratustra, que ri extasiado (repiques do oboé) e comemora seu triunfo.
VIII. Das Tanzlied (A Canção dançante)
Volúpia e felicidade na melodia valsante trazida pelo primeiro-violino, num movimento que vai acumulando tensão em direção ao êxtase triunfal que aos poucos vai se desfazendo até o movimento de conclusão.
Nachtwandlerlied (Canto do viajante noturno)
O sino convida às profundezas da noite. É um finale enigmático, deixando “o problema” do homem não resolvido. Ecoa o Universo, as esferas, como se o homem fosse se diluir na matéria da qual ele se destacou. A atmosfera permanece serena, mas ainda ambígua, cheia de interrogações. Simbolizando essa dúvida, uma dissonância entre o piccolo e os violinos antecede a finalização da peça em suaves pizzicatos.
ARTISTAS
Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo
Ludmilla Bauerfeldt, soprano
Helder Trefzger, regente
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
PROGRAMA
Richard Strauss
Vier Letzte Lieder (Quatro últimas canções)
– Frühling: Allegretto
– September: Andante
– Beim Schlafengehen: Andante
– Im Abendrot: Andante
Richard Strauss
Also sprach Zarathustra, Op. 30 (Assim falou Zarathustra)
– Sehr breit
– Weniger breit
III. Von der großen Sehnsucht (Do imenso desejo)
– Bewegter
– Bewegter
– Etwas ruhiger
– Sehr langsam
VII. Der Genesende (O Convalescente)
– Energisch
VIII. Das Tanzlied (A Canção dançante)