19/09, SÁB - 16H
Local: Reserva Ecológica Águia Branca
Alto Castelinho, Vargem Alta – ES, 29295-000
Entrada Gratuita
SOBRE O ESPETÁCULO
A Abertura Armorial, de Paulo Henrique Raposo, foi composta em 2003 e dedicada à Orquestra Sinfônica Jovem de Taubaté. A obra nasceu de uma pesquisa sobre o movimento armorial, idealizado pelo escritor Ariano Suassuna na década de 1970, com o objetivo de criar uma arte erudita genuinamente brasileira, enraizada nas tradições populares do nordeste, especialmente de Pernambuco. A Abertura Armorial dialoga com esse legado ao evocar sonoridades que remetem à rabeca, ao maracatu, à embolada e às cantigas sertanejas, numa linguagem sinfônica que celebra a riqueza e a sofisticação da cultura popular nordestina.
Clarice Assad escreveu “TROPPO TROPICALE” Rossini no frevo através de uma encomenda da Companhia de Ópera do Espírito Santo para a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo. A obra é uma celebração da universalidade da música – prova de que melodias podem viajar através de continentes e séculos, ganhando novos sotaques e novas cores, mas mantendo sua essência comunicativa. É Rossini vestindo uma camisa colorida de frevo, é Brasil dançando ópera italiana, é a música sendo exatamente o que ela deveria ser: pura diversão sem fronteiras.
José Ursicino da Silva (1935), mais conhecido como Maestro Duda, regente, compositor, arranjador e instrumentista pernambucano cujo legado inclui dezenas de obras finamente arranjadas e orquestradas, valorizando os ritmos brasileiros. Sua Suíte Nordestina já na introdução apresenta uma melodia que ligará todas as seções da obra. Segue-se um baião, com seu ritmo característico, seguido por uma singela serenata que traz de volta a expressão melódica da introdução. Na sequência temos o maracatu, introduzido por uma simulação, em tutti (por toda a orquestra), do conjunto de percussão que originou esse gênero pernambucano: metais, flautas e requinta representam alfaias (grandes tambores), enquanto clarinetes são as vozes dos taróis e das caixas. Por fim temos o frevo, com toda a sua energia contagiante. A frase da introdução conclui a peça.
A compositora e pianista Juliana Ripke (1988) é doutora e mestre em musicologia pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) e bacharel em piano pela Faculdade Cantareira. Suas composições têm sido estreadas por importantes corpos artísticos nacionais e internacionais. A sua obra Carrega-me contigo no amanhã é baseada em um ciclo de poemas de de Hilda Hilst. É uma celebração da força e delicadeza do feminino.
Cesar Guerra-Peixe (1914-1993), um dos principais nomes da composição brasileira do Século XX, escreveu a peça Mourão para o Movimento Armorial em 1974. Ela foi lançada originalmente no LP de 1974, “Do romance ao galope nordestino”, do Quinteto Armorial. Segundo o compositor, trata-se de uma peça feita no estilo da cantoria nordestina. Mourão tornou-se uma peça bastante conhecida desde então, sendo regravada diversas vezes e em diferentes formações.
O compositor Oscar Lorenzo-Fernandez (1897-1948) escreveu a Suíte Reisado do Pastoreio em 1930, uma espécie de tríptico natalino orquestral baseado em tradições afro-brasileiras, embora sem melodias folclóricas propriamente ditas.. Dela, o último movimento, Batuque, encantou nomes como os maestros Toscanini e Koussevitzky, um batuque festivo e pulsante, um tipo de dança secular impulsionada pela percussão.
Ernesto Nazareth (1863-1934) publicou a polca Apanhei-te, cavaquinho em 1914. O título faz referência a uma expressão da época, em que se pega alguém em flagrante. Os acordes da mão esquerda são executados à maneira de um cavaquinho e a direita imitaria uma flauta. É um dos maiores sucessos de Ernesto Nazareth, tendo recebido pelo menos 281 gravações e 5 letras. Também foi gravado pelo próprio autor em 1930.
Completa o programa uma toada de congo do Espírito Santo, Madalena, aqui em versão sinfônica. Segundo relato do falecido mestre de congo da Serra, Antonio Rosa, o também mestre Zé Maria, pai de Madalena, teria feito a toada para ela, na época do seu nascimento. Os filhos de Dona Madalena, Sebastião e Edna Simões também relatam que seu avô havia feito a música para sua mãe. O pesquisador de folclore capixaba Guilherme Santos Neves já havia registrado num de seus livros, na década de 40, a toada Madalena. A música é muito marcante na Serra, e ele acreditava que ela era originada de lá. Já o historiador Eliomar Mazzoco ressalta, no entanto, que a cultura popular tem muitas versões para a música. “Uma das versões é de que a toada é da Barra do Jucu. O Martinho da Vila gravou o samba que tem a letra do congo que ele ouviu na Barra. É comum quando as pessoas passam a cantar uma música, e com o passar do tempo se apropriam dela”, explica. Apesar das controvérsias, o historiador garante que “Madalena” é essencialmente capixaba. “Não resta dúvida de que essa toada é capixaba, e tudo indica que seja do município da Serra. Ela tem uma história, e essa é a beleza da cultura popular”.
ARTISTAS
Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses)
PROGRAMA
Paulo Henrique Raposo
Abertura Armorial
Clarice Assad
Troppo Tropicale
José Ursicino da Silva (Duda)
Suíte Nordestina
I Lento
II Serenata
III Maracatu
IV Frevo
Juliana Ripke
Carrega-me contigo no amanhã
(Canções sem palavras nº 1)
Cesar Guerra-Peixe (Arranjo: Guilherme Mannis)
Mourão Sinfônico
Arranjo: Guilherme Mannis
Oscar Lorenzo Fernandez
Batuque, da Suíte Reisado do Pastoreio
Ernesto Nazareth
Apanhei-te Cavaquinho
Solo de flauta: Danilo Klem
Arranjo: Leonardo Cunha
Manimal/Casaca
Puxada de Rede / Sereia
Arranjo: Lucas Luiz Meirelles
Tradicional
Madalena, congo do Espírito Santo